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Notícia - 01/09/2010 - Área dos olhos

01/09/2010 - Área dos olhos

Os filósofos dizem que os olhos não mentem. Assim como os olhos são considerados a janela da alma, é através deles, também, que podemos identificar uma série de doenças.

Considerado um microssistema, a iridologia é o método que permite diagnosticar doenças, disfunções e alterações orgânicas pela simples observação da íris. Esse método permite a observação direta da íris sem recursos técnicos especiais, somente uma lente de aumento ajustada a um foco luminoso.

A sociedade define os olhos como o órgão que transmite, à primeira impressão: serenidade, felicidade, jovialidade, paz, segurança, angústia, medo, dor ou cansaço. Estes são alguns dos sentimentos expressos através do olhar. A área dos olhos é onde se pode sentir os primeiros sinais do envelhecimento, as agressões do ambiente, e os efeitos de origem emocional. É uma região extremamente solicitada tanto pelas expressões faciais, assim como pelo movimento dos olhos.

É por isso, que para a cosmética moderna, o cuidado com a área dos olhos significa desafio e inovação.

Anatomicamente, este órgão é o mais sensível do corpo e protegido por alguns elementos que podem comprometer a estética, apesar de ajudar a preservar a visão. Então, para proteger o globo ocular, os olhos ficam dentro de uma estrutura óssea e é este osso que provoca as sombras escuras ao redor dos olhos, que se refletem na pálpebra inferior.

As pálpebras inferiores e superiores são basicamente uma fina camada de pele com uma musculatura específica e repleta de feixes nervosos para a proteção dos olhos. O abrir ou fechar dos olhos é função definida pela musculatura, porém voluntariamente ou involuntariamente, o piscar significa um mecanismo de proteção contra qualquer tipo de agente irritante, usando inclusive as lágrimas como aliada.

A pele desta região é a mais fina e delicada de todo o rosto, apresentando uma espessura de 0,4 mm, enquanto o restante do corpo mede 2 mm. O seu potencial de flacidez é aumentado por apresentar poucas fibras de colágeno e elastina. É a área que tem poucas glândulas sebáceas, o que a torna frágil e inelástica; apresenta uma camada de gordura acima e abaixo dos olhos cuja finalidade é a proteção da região. No entanto, é esta camada de gordura uma das mais recorrentes reclamações: bolsas abaixo dos olhos, que deixam a aparência cansada e envelhecida.

Os cílios, cuja finalidade principal também é a proteção, podem ser longos ou não, e isso varia de pessoa para pessoa. As sobrancelhas acima das pálpebras apresentam formato específico para proteger os olhos contra o suor: a forma de arco desvia a água para a lateral do rosto. No entanto, tanto a forma dos cílios como das sobrancelhas são ditadas pelos modismos e pelas inovações cosméticas. Por isso, de tempos em tempos a moda dita que as sobrancelhas serão finas ou grossas, os cílios fartos e longos, ou não, e produtos cosméticos são lançados a fim de acompanhar esses modismos.

Mas, o fato é que esta é uma área sujeita a tensionamentos constantes, devidos aos movimentos dos olhos e a expressões faciais. Essa área possui uma grande capacidade de regeneração até antes dos 30 anos, quando, então, as marcas podem se tornar visíveis se não forem tratadas. Antes do 30 anos usamos o termo prevenção e, a partir dos 30 anos, usamos o termo tratamento.

Os problemas mais significativos que se apresentam nesta área são as olheiras, também chamadas de hiperpigmentação periorbital, as bolsas de gordura, as rugas e a perda de firmeza nas pálpebras. Muitos desses problemas podem ser resolvidos usando alguns ativos dermatológicos específicos para a área.

Assim, as olheiras são sombras que aparecem nos olhos, partindo do canto externo ao canto interno. São encontradas em pessoas de peles claras e escuras e, acredita-se haver certo conteúdo hereditário e racial neste problema. No entanto, a idéia mais aceita é que a microcirculação sanguínea e linfática são deficientes em quem tem olheiras.

A pequena espessura da pele e a presença maciça de capilares podem fazer com que os vasos se tornem visíveis; outra possibilidade é o rompimento desses vasos, até porque eles são frágeis e sofrem a ação do consumo excessivo de cafeína ou mesmo de variações hormonais decorrentes, por exemplo, de estresse.

A drenagem nesta área pode ser prejudicada por alterações no sono, pouca ingestão de água e mesmo fragilidade capilar. A deficiência da drenagem nesta região pode provocar acúmulo de toxinas, o que também contribui para o escurecimento do local. E, finalmente, pode haver um excesso de melanina no local.

Os ativos que devem ser selecionados são os vasoprotetores e substâncias com ação descongestionante. Alguns óleos essenciais podem ajudar nessas formulações. Os flavonoides, cujas representantes são escinas, rutinas, quercetina e leucoantocianidinas, entre outros. Quanto aos óleos essenciais, pensamos em lavanda, mirra, cravo e, ainda, substâncias como alfa-bisabolol, lipossomas entre outros.

Bolsas de gordura são decorrentes da deficiência de drenagem linfática local. A deficiência gera uma estase que prejudica a mobilização das gorduras dos adipócitos na hipoderme. Nestes casos, ao manipular um novo produto, pensaremos em produtos com ação lipolítica, mas também os silícios orgânicos devem ser pensados neste tipo de formulação.

São geralmente os géis que dão sensação de frescor e maciez. A sensação de frescor faz com que os vasos sanguíneos se contraiam e cesse o extravasamento de líquido, o que reduzirá o inchaço. Alguns adstringentes ainda reforçam os vasos sanguíneos e linfáticos, reduzindo o vazamento e promovendo a absorção do excesso de líquidos. Dependendo da formulação, encontramos formadores de películas que ajudam a disfarçar o aspecto das rugas.

A perda de firmeza nas pálpebras é um problema de flacidez, que pode dar aquela aparência cansada e entristecida. Uma técnica que potencializa a melhora nesses casos, são as compressas frias de chá de camomila ou chá de alecrim, entre 15 e 25 minutos, com os olhos fechados. Esta técnica é recomendada mesmo antes da aplicação de qualquer ativo dermatológico. Os ativos mais usados para manter ou mesmo recuperar a firmeza das pálpebras são o ácido hialurônico, os estimuladores de fibras colágeno, a vitamina C e seus derivados, os silícios orgânicos, a coenzima Q10, a vitamina E como antioxidante, entre outros.

Nenhuma parte rosto é tão vulnerável à ação solar quanto a área dos olhos. As fibras de colágeno e elastina podem ser altamente afetadas pela ação do sol. Por isso, é importante e necessária a utilização de filtro solar, de modo a proteger esta área.
As rugas, nesta área, são chamadas de pés de galinha. A prevenção inclui produtos emolientes, hidratantes e silicones. O objetivo é oferecer hidratação e emoliência preventiva para a pele.

Os ativos dermatológicos que poderiam ser usados em produtos para a área dos olhos, são aqueles que formam fibras de colágeno e elastina, hidratantes e ainda peptídeos de sequência única, que se repetem e imitam a sequência humana para produzir colágeno; competidores antagonistas aos receptores acetilcolina que bloqueiam a liberação de sódio na membrana pós-sináptica e inibem a contração muscular, agentes estimuladores da ação dos fibroblastos, entre outros.

A vitamina A e o ácido glicólico vêm sendo usados para recuperação da pele, assim como pela renovação celular que eles promovem.

Proteínas de alto peso molecular, mucopolissacarídeos, biopolímeros proporcionam o efeito lifting, que é uma turgescência imediata ou a formação de um filme hídrico que provoca a perceptível sensação de estiramento da pele. O tratamento efetivo das rugas pode ser alcançado pelo uso de poderosos agentes estimuladores da ação dos fibroblastos em associação, ou não, com Vitamina C, triterpenos de Centella asiática e silícios orgânicos, entre inúmero outros produtos, incluindo os de terceira geração de cosméticos: os Patches.

Cuidados com as formulações para a área dos olhos:

Por ser uma área extremamente sensível decorrente da pouca espessura e também pela proximidade com a área dos olhos, é que se fazem necessários certos cuidados ao manipular este tipo de produto.

Uso de emulsificantes e tensoativos nas formulações devem ser evitados, sendo que a forma gel-creme uma boa opção. Porém, se necessário, devemos usar emulsões não-iônicas; fazer testes com as fragrâncias quanto à inocuidade para os olhos e pensar sempre em doses mínimas. Filtros solares são potencialmente irritantes. Deve-se pensar nos preservantes em quantidades mínimas, inócuos e próprios para esta aplicação, pois podem entrar nos olhos quanto aplicarmos ou deitarmos.

Além dos tratamentos propostos acima, os cosméticos possuem armas para deixar os olhos mais atraentes. A maquiagem é uma realidade e também uma aliada da mulher da atualidade. E embora a maquiagem esteja incorporando cada vez mais o sentido de tratamento, aliando aos seus produtos filtro solar, vitaminas, entre outros ativos, produtos específicos de maquiagem irão colorir, realçar os olhos, disfarçar pequenos defeitos, mudar a textura, e ainda, mudar a disposição dos cílios e sobrancelhas.

Sugestões de Fórmulas

As informações e recomendações contidas em nossas formulações são fornecidas de boa fé. A aplicabilidade na formulação final deve ser confirmada em todos os seus aspectos. É responsabilidade do usuário, determinar a aplicabilidade dessas informações e recomendações.

Creme para a Área dos Olhos com Lipossomas de Vitamina K

Lipossomas de Vitamina K 3,0%
Lipossomas de Coenzima Q10 2,0%
Lipossomas de Ginkgo Biloba 2,0%
Xantalgosil 2,0%
Creme não-iônico qsp 100%

Modo de Usar: aplicar na área dos olhos pela manhã antes do filtro solar e à noite após limpeza.

Creme para Área dos Olhos

Oxtrienol 5,0%
Óleo de Framboesa 3,0%
Renovhyal 0,5%
Creme não-iônico qsp 100%

Modo de Usar: aplicar na área dos olhos pela manhã e à noite após limpeza.

Creme para Área dos Olhos

Alistin 2,0%
Hidroxiprolisilane C 2,0%
Ascorbosilane C 2,0%
Densiskin 2,0%
Loção não-iônica qsp 100%

Modo de usar: aplicar na área dos olhos 2 vezes ao dia.

Referência Bibliográfica

1. SOUZA, Valéria M.; ANTUNES JUNIOR, Daniel. Ativos Dermatológicos. V.6. São Paulo: Pharmabooks, 2010.

Confira mais sugestões fórmulas no livro Ativos Dermatológicos – Volume 6
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